Batizar ou não?

E se batizássemos o menino? A minha mãe ia gostar tanto.

Este é um texto de António Farinha, publicado na revista Notícias Magazine e eu não resisto a partilhá-lo convosco. A religião é um tema bastante controverso e que, nos dias de hoje, os pais já deixam que sejam os filhos a decidirem. A sociedade ainda está formatada para impingir ideias pré definidas de como todos deveríamos proceder e, no caso da religião, parece que estamos a cometer um crime ao não batizarmos as nossas crianças.

Ora leiam o artigo e partilhem comigo a vossa opinião.

” – Outra vez essa conversa?
– Não é a mesma conversa. É outra conversa.
– Não, a conversa é a mesma, a forma de abordares é que é diferente. Agora é por causa do 13 de maio. Há tempos foi pela Páscoa. No Natal já sei que vem outra vez a mesma ideia.
– Antes disso ainda há o aniversário da minha mãe.
– Ah, pois, isso também. Aí é mais forte ainda. «Era o melhor presente que podiam dar-me na vida.» Melhor ainda: «Antes de eu fechar os olhos deviam batizar o menino para eu morrer em paz.» Pelo amor de Deus, já não há paciência para essa conversa.
– Disseste «pelo amor de Deus»?
– Disse. É uma expressão. Não quer dizer que eu acredite. E não quer dizer que eu mude de ideias sobre este assunto. O miúdo tem 8 anos. Há oito anos que a tua mãe faz essa chantagem emocional connosco. Ou contigo. E há oito anos que eu digo que não, que acho errado, e que te lembro que foi uma coisa que combinámos antes sequer de engravidares.
– Mas agora mudei de ideias. Agora acho que não faz mal.
– Dantes Deus não existia. Agora já existe? O que é que aconteceu? Ele mandou-te um sinal?
– Eu continuo a achar que não existe. Mas não vejo mal nenhum que o nosso filho seja batizado, se isso faz os meus pais felizes.
– A tua mãe. O teu pai está-se nas tintas.
– Isso diz ele. Ele gostava de que o neto fosse batizado. Os meus pais vão os dois à missa.
– E o nosso filho também pode ir se quiser. Quando quiser. É uma escolha dele. E pode fazer a catequese, o crisma, e depois a primeira comunhão, o que lhe apetecer. Até pode ir para um convento. Mas é uma escolha dele. Não é minha. Nem da tua mãe.
– A primeira comunhão vem antes do crisma. E ele pode ir para um seminário, não para um convento. Para os conventos vão as freiras.
– Ele que vá para onde quiser. Para um mosteiro budista nos Himalaias, se isso o fizer feliz. Mas eu, como pai, como ateu, como responsável por ele, não o introduzo a uma religião por minha vontade. Tem de ser vontade dele.
– E se eu aceitar o cão? Pode ser?
– O cão? O que é que isso tem que ver?
– Nós temos um cão. E tu deixas o miúdo ser batizado.
– Estás a negociar isso comigo? A tua mãe sabe?
– Ela não precisa de saber. Para ela, só interessa que o neto seja salvo das chamas do inferno através do batismo. Vai lá à igreja, fazem-lhe o sinal da cruz, o padre despeja -lhe uma chávena de água em cima e arrumamos o assunto. E ainda fazemos uma festa e vamos almoçar ao cabrito assado, de que tu gostas tanto.
– Se eu autorizar que ele seja batizado, podemos ter um cão?
– O que tu sempre quiseste. E podes escolher tu e tudo.
– Quero Netflix.
– Netflix?
– Quero um cão e Netflix.
– Mas isso é um balúrdio. Não temos dinheiro para isso.
– Um cão e Netflix. É a minha proposta. E eu deixo que ele seja batizado. E vamos comer cabrito.
– Estamos a falar de fé. De uma coisa que é importante para a minha família. Estás a gozar com religião e a aproveitar-te disso. Em alguns países isso dava direito a que fosses chibateado na rua.
– Um cão e Netflix.
– Está bem. Se é para ver a minha mãe feliz, aceito.
– E compramos uma televisão nova também? De caminho…
– Estás a esticar-te.
– Ok, um cão e Netflix. Feito. Troco isso pelo batismo do miúdo.”

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